2025 foi um ano marcado por assembleias lotadas, muita mobilização, coragem de construir uma greve histórica e persistência incansável para ver nosso acordo sair do papel.
Esta é a retrospectiva da jornada do Sintram/SJ em defesa da data-base, uma conquista que simboliza muito mais que um percentual de reajuste: representa a força da categoria quando unida.
Um legado para o futuro
A jornada de 2025 pela data-base reforçou lições caras do movimento sindical: nada se conquista sem união, organização coletiva e disposição para lutar.
Mostrou que a democracia, com ampla participação, é o cimento que fortalece qualquer negociação.
E provou que a mobilização não cessa com a assinatura de um acordo; ela se transforma, mantendo-se viva para garantir direitos.
Vamos revisitar essa trajetória para celebrar as vitórias concretas e reafirmar nosso compromisso de permanecer na linha de frente, construindo a luta com a categoria e vigiando os direitos de todos os servidores municipais.
Que 2025 sirva de inspiração e combustível para os desafios de 2026.
A luta continua, porque o servidor/a valorizado/a constrói uma cidade com serviços públicos de qualidade para toda a população.

FEVEREIRO – Antes mesmo do Carnaval, o sindicato começou a construir a pauta de reivindicações para a data-base. Em 26 de fevereiro, a Diretoria e Conselhos Deliberativo e Fiscal do Sintram/SJ se reuniram na sede do Sintram pela primeira vez no ano para debater a proposta que seria levada a debate junto a toda a categoria.
A proposta levou em consideração:
* Reivindicações que fizeram parte da pauta e que não avançaram em outras datas-base
* Propostas sugeridas pela categoria via formulário virtual
A pré-pauta que seria amplamente debatida pelos servidores e servidoras em assembleia também levou em conta as realidades dos locais de trabalho para consolidar um documento capaz de refletir a urgência do reajuste salarial, além de outras demandas essenciais para a valorização do serviço público municipal.

MARÇO – Nossa jornada em defesa da data-base resulta em conquistas que simbolizam muito mais que um percentual de reajuste: representa a força da categoria unida.
A pré-pauta de reivindicações da nossa data-base 2025 foi publicada em março. O mote escolhido para a campanha foi “DINHEIRO PÚBLICO PARA O SERVIÇO PÚBLICO JÁ”.
A arte do chargista Jeferson Portela deu cara à nossa luta, ilustrando a identidade visual que nos acompanharia ao longo do ano.
Ainda em março, a direção do sindicato visitou os locais de trabalho mobilizando a categoria para debater a pauta da data-base em assembleia.

ABRIL – Nossa mobilização ganhou forma concreta e força política com a aprovação da pauta de reivindicações. Reuniões com representantes de base na sede do sindicato foram fundamentais para refinar as prioridades e alinhar as estratégias, garantindo a devida representatividade.
A primeira assembleia geral do ano, realizada no Centro de Atenção à Terceira Idade (CATI), teve ampla participação. A categoria debateu e aprovou de forma soberana a pauta unificada, que colocou no centro das reivindicações pontos cruciais:
- a realização de concursos públicos para sanar o déficit de quadros e atender a população com qualidade;
- a defesa da valorização salarial;
- melhores condições de trabalho para todos.
Com a pauta aprovada, o sindicato partiu para a ofensiva institucional. O documento foi formalmente encaminhado ao Executivo Municipal, com um pedido explícito e urgente pela abertura da mesa de negociação. Paralelamente, o Sintram/SJ esteve na Câmara de Vereadores para articular apoio político, apresentando as demandas aos parlamentares e buscando aliados para pressionar o prefeito Orvino.
A pressão ganhou um reforço com apoio do Fórum Municipal das Trabalhadoras e Trabalhadores do SUAS de São José (FMTSUAS/SJ) endossando a luta dos servidores municipais. O Fórum destacou, em especial, a urgência na chamada do concurso público da Assistência Social, um dos pontos centrais da nossa pauta, conectando a luta salarial diretamente à melhoria dos serviços prestados à população que mais precisa.

MAIO – A Câmara aprovou em maio o projeto de reajuste enviado pelo executivo para reposição das perdas salariais do ano anterior, mas a atenção ao restante das reivindicações da categoria exigiu pressão do sindicato.
O sindicato intensificou a luta, mobilizando os representantes de base para análise da resposta do Executivo Municipal sobre a pauta de reivindicações da data-base 2025.
A categoria compareceu em peso à assembleia no bolsão da Beira-Mar de São José no dia 7: mais de 1500 trabalhadores discutiram a pauta e marcharam em massa até a frente da prefeitura para pressionar por uma proposta efetiva.
Após extensas mesas de negociação, a categoria concluiu que a proposta do executivo não contemplava muitos dos pontos debatidos. Por isso, no dia 27, em nova assembleia, os servidores/as deliberaram por declarar estado de greve.

JUNHO – Após dois meses da entrega da pauta de reivindicações, o governo municipal seguia ignorando a pauta dos servidores e da população josefense. Ao mesmo tempo, denúncias da falta de profissionais e a estrutura precária em unidades mostrava o descaso do prefeito Orvino com as condições de trabalho e a saúde pública.
Foi diante deste contexto que a categoria decidiu por unanimidade, em assembleia no dia 4 de junho, rejeitar a proposta enviada pela gestão Orvino, deflagrando greve em defesa do serviço público a partir do dia 10. Os servidores foram firmes na reivindicação da chamada de concurso público para ampliar o atendimento à população, melhorias nas condições de trabalho e valorização salarial dos servidores.
Foi uma semana de pressão intensa da categoria. A greve mobilizou caminhada pela cidade e uso da tribuna da Câmara para explicar à sociedade as motivações da luta dos servidores/as. Após vigília em frente à prefeitura de São José/SC, os servidores conseguiram abrir nova negociação entre o comando de greve e o executivo.
Até que no dia 16, após avaliar nova resposta do executivo para a pauta de reivindicações, a proposta foi aprovada, dando fim à greve.
Foi objeto do acordo:
➡️ a criação de 300 cargos efetivos de Auxiliar de Ensino de Educação Especial;
➡️ ampliação do número de chamadas do concurso da Assistência Social, totalizando 13 psicólogos e 13 assistentes sociais (a proposta inicial eram de dois de cada cargo);
➡️ publicação imediata do edital do concurso público da área da Saúde;
➡️ chamamento dos concursos em vigência a cada vacância
Além da manutenção de todas as pautas que já haviam avançado: progressões verticais cumulativas (chegando a 30%); piso para o desconto de 14% dos aposentados de dois para três salários mínimos; isonomia do salário família; pagamento de GRT dos psicólogos, assistentes sociais e farmacêuticos nas férias e licenças; consulta formal à comunidade escolar no processo de escolha dos diretores dos CEMs e CEIs; etc.
No mesmo mês, o concurso da saúde (um dos objetos do acordo) teve edital publicado e suspenso temporariamente para correções – e o Sintram/SJ cobrou compromisso do executivo com agilidade do processo.

JULHO – A festa julina dos grevistas (foto do card) celebrou as conquistas da greve, mas a assinatura do acordo era o início de uma nova etapa: a da cobrança pela implementação do compromisso. A luta continuou, agora para garantir que a vitória fosse consolidada.
No dia 10, o Executivo Municipal encaminhou, em regime de urgência, para a Câmara de Vereadores dois projetos de lei (PL) e três projetos de lei complementar (PLC) que tratavam do acordo final da data-base de 2025.
Itens encaminhados:
✅ Aumento do piso para o desconto das aposentadorias de dois para três salários mínimos (PLC nº 0010/2025);
✅ Garantia da Gratificação de Responsabilidade Técnica dos psicólogos, assistentes sociais e farmacêuticos nas férias e licenças remuneradas (PLC nº 0011/2025);
✅ Cumulação dos percentuais de pós-graduação, mestrado e doutorado dos planos de carreira da administração e da saúde (PLC nº 0012/2025);
✅ Unificação do valor do benefício Salário-Família (PL nº 0110/2025).
Também foi encaminhado o PL nº 0109/2025, que trata da revogação do prêmio-assiduidade do magistério – lei de 2022 à qual a categoria se posicionou contrária, devido à sua natureza punitiva e assediadora. Entretanto, o Sintram/SJ segue cobrando que seja pago o período em que a lei esteve vigente.
Porém, o PLC nº 0012/2025 descumpria o acordo final da data-base, pois excluía o magistério. O Sintram/SJ pressionou a Procuradoria e a secretária Méri Hang, e assim conquistou que o benefício contemplasse o cumulativo de progressões verticais no Plano de Carreira do Magistério.

AGOSTO – Em agosto, o escândalo envolvendo a Organização Social (OS) Mahatma Gandhi chegou ao conhecimento público. O sindicato lembrou que o acordo da greve também era um instrumento de valorização do serviço público; em contraposição à terceirização, terreno fértil para corrupção.
Em assembleia realizada no dia 28 no Colégio Maria Luiza de Melo (Melão), a categoria avaliou o cumprimento do acordo de greve. A categoria voltou a cobrar a chamada do concurso da assistência social, a publicação do edital do concurso da saúde e a criação dos 300 cargos efetivos. Como forma de pressão, os servidores/as deliberaram por realizar um ato público em frente à prefeitura.

SETEMBRO – O Sintram/SJ bateu na porta da prefeitura mais uma vez para cobrar do prefeito Orvino o cumprimento integral do acordo de greve. A categoria marcou presença com material visual e panfletos para informar a população sobre a natureza da ação: defender os direitos dos servidores e a qualidade do serviço público para a população.
No mesmo mês, em uma ação de comunicação, o sindicato publicou outdoors em diferentes pontos da cidade cobrando do prefeito Orvino o cumprimento do restante do acordo de greve.
Duas ações do executivo no sentido do cumprimento do acordo de greve também marcaram o mês de setembro:
✅Convocação de oito classificados do concurso da Assistência Social;
✅Relançamento do Concurso Público destinado à área da Saúde (Edital 001/2025).
A comemoração foi acompanhada de mais luta pelo preenchimento de todas as vagas da Assistência Social.

OUTUBRO – Após campanha de outdoors que ganhou as ruas da cidade, o Sintram seguia cobrando da prefeitura o cumprimento integral do acordo da greve.
️ – A chamada dos concursados para a assistência social
️ – A criação dos 300 cargos efetivos de auxiliar de ensino de educação especial lotados no magistério
️ – A chamada dos concursos em vigência para cada vaga em vacância
Mais uma vez, a prefeitura deixou passar a chance de consolidar equipes permanentes para uma saúde eficiente no município. O contrato com a prestadora de serviços Mahatma Gandhi, Organização Social que administra unidades de saúde do município – a mesma empresa investigada por desvio bilionário aos cofres públicos – chegou ao fim, mas a prefeitura demorou para lançar o concurso da saúde – um dos pontos do nosso acordo de greve.
O governo Orvino estendeu o contrato com a IBV – outra Organização Social. Resultado: novos trabalhadores terceirizados prestando serviço de forma temporária e precária e a população submetida a um serviço de saúde prestado de maneira provisória e descontinuada. O Sintram/SJ lançou nota para alertar a sociedade: serviço público se faz com servidores públicos.

NOVEMBRO –Finalmente, Orvino enviou à Câmara de Vereadores o projeto de lei para criação dos 300 cargos efetivos de auxiliar de ensino para a educação especial. Porém, a proposta descumpria pontos fundamentais do acordo de greve, com impacto negativo tanto para os trabalhadores/as quanto para os alunos especiais e suas famílias.
O projeto foi protocolado em meio a dezenas de outras proposições, repetindo a prática do prefeito de tentar empurrar seu pacote de maldades nas semanas finais do ano legislativo, sem tempo para a devida discussão na Câmara. Uma rasteira para a categoria em pleno fim do ano legislativo
O sindicato enviou ao prefeito, ao procurador do município, à Secretária de Educação e à Secretária de Administração um parecer elaborado pela diretoria do Sintram/SJ junto da nossa assessoria jurídica sobre o projeto. Também percorreu todos os gabinetes para buscar diálogo com os vereadores para explicar os sérios problemas da proposição:
- Enquadramento do cargo na Administração – e não no Magistério
- Sem garantia da hora-atividade
- Descumprimento do piso nacional
- Sem exigência de especialização em educação especial
Em assembleia, a categoria debateu novas estratégias para enfrentar o descumprimento do acordo da greve.
A Prefeitura também convocou 130 classificados do concurso público Edital 001/2020 do Magistério.

DEZEMBRO – Em uma sessão que encerrou às 4 horas da madrugada, a Câmara aprovou o Projeto de Lei de Orvino para criar 300 cargos precarizados de “auxiliar de educação especial”: fora do quadro do magistério, com salário quase 1.000 (mil) reais mais baixo do que o piso federal e sem direito à hora-atividade – descumprindo o acordo feito com a categoria.
Mesmo que o Sintram/SJ tenha buscado diálogo para sensibilizar os vereadores e acompanhado a votação do Projeto junto com representantes da categoria, alertando sobre os problemas da medida, a maioria dos parlamentares josefenses provou que não tem compromisso com a população ou com a educação, apenas com os interesses políticos do prefeito. Os servidores saíram derrotados: 12 vereadores votaram contrários à população, coniventes com a precarização da atenção aos alunos da educação especial do município (veja lista completa)
2025 foi intenso e teve muita luta. Apesar desse golpe da gestão Orvino, mostramos que é possível avançar em conquistas quando a categoria está unida e fortalecida! Fechamos o ano com a certeza de que enfrentaremos 2026 com ainda mais garra em defesa de um serviço público de qualidade, que atenda às necessidades dos servidores e da população josefense!
Vamos juntos construir a data-base 2026 com esperança e força!
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