Em assembleia realizada nesta quarta-feira (29), os servidores municipais de São José deliberaram pela deflagração da greve por tempo indeterminado, com início previsto para o dia 5 de maio.
A decisão foi tomada durante a terceira Assembleia da Data-base 2026, realizada no Bolsão da Beira-Mar, e reuniu mais de 1500 trabalhadores da administração pública municipal. O clima geral era de indignação com as condições de trabalho.
Nas duas assembleias anteriores, a categoria já havia aprovado o estado de greve, diante do descumprimento de pontos do acordo firmado com a prefeitura após a greve de 2025 e da grave deterioração dos serviços públicos no município.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de São José (Sintram/SJ), a administração do prefeito Orvino Coelho de Ávila e do vice-prefeito Michel Schlemper não apresentou até o momento propostas concretas que atendam às demandas da categoria, mantendo-se em silêncio diante das tentativas de negociação.
No mesmo dia da assembleia, o prefeito sancionou a lei que define o reajuste dos servidores. A reposição se restringe ao percentual equivalente ao IPCA, sem ganho real, e parcelado em duas vezes. Além disso, seguiu ignorando as demais reivindicações da categoria, o que os servidores classificam como desrespeito com quem mantém os serviços públicos funcionando apesar da estrutura sucateada e da falta de pessoal.
“A assembleia de hoje foi soberana e reflete a indignação da categoria. A prefeitura teve tempo e oportunidade para dialogar, mas optou pelo imobilismo. A greve começa no dia 5 de maio, e só será suspensa se houver uma proposta objetiva que atenda às pautas dos servidores. A população sabe que não se trata de um capricho, mas sim da luta por serviços públicos dignos e pelo respeito aos trabalhadores que os mantêm de pé”, afirmou a presidente do Sintram/SJ, Jumeri Zanetti.
A greve inicia no dia 5 de maio, em cumprimento ao prazo legal de 72 horas de aviso prévio à Prefeitura de São José e à população; já no dia 5 às 8h30 está marcada a primeira assembleia de greve, com local a ser definido. Imediatamente após a assembleia, o comando de greve se dirigiu à prefeitura para formalizar a decisão da categoria à administração e às secretarias.
Principais demandas da data-base 2026
Entre as pautas prioritárias da categoria estão:
Concurso público e fim das terceirizações – Chamada imediata dos classificados em concursos abertos, diante do déficit de ao menos 400 trabalhadores na saúde e assistência social, além da falta de profissionais na educação e administração. A categoria também defende o fim das terceirizações no serviço público;
Isonomia na carreira – Correção das desigualdades na carreira, promovendo isonomia e incentivo à qualificação profissional;
Profissionais da Educação Especial na carreira do Magistério – Inserção desse cargo no quadro do magistério. A prefeitura criou 300 vagas para a área, mas lotou os profissionais no quadro administrativo, sem direito ao piso salarial e à hora-atividade, contrariando acordo coletivo firmado no fim da greve de 2025;
Revisão salarial de técnicos e auxiliares de enfermagem – Reajuste justo para categorias essenciais na linha de frente da saúde municipal, que estão com defasagem salarial.



















Faça um comentário