Servidores municipais de São José/SC declaram estado de greve em assembleia histórica

Categoria denunciou caos nas condições de trabalho, desvalorização e atrasos nos repasses à Previdência; nova assembleia está marcada para 14 de abril

Foi com o bolsão da Avenida Beira-Mar de São José/SC tomado por servidores e servidoras de todas as áreas que a categoria demonstrou sua força nesta terça-feira, 31 de março. Em uma assembleia marcada por participação histórica, mais de 2 mil trabalhadores da saúde, educação, assistência social e demais secretarias do município deliberaram pelo estado de greve, após denunciarem o aprofundamento do caos nas condições de trabalho e os riscos que a aposentadoria enfrenta diante do atraso nos depósitos da Prefeitura ao regime previdenciário SJPrev.

A diretoria do Sintram/SJ já está mobilizada para buscar negociação imediata com o Executivo municipal, enquanto a categoria se prepara para uma nova assembleia, já aprovada para o dia 14 de abril, quando deverá avaliar os encaminhamentos da mesa de negociação.

Confira alguns momentos:

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Previdência sob ataque e parcelamento da dívida

Um dos pontos que mais gerou indignação dos servidores foi a situação crítica da SJPrev. A Prefeitura acumulou uma dívida superior a R$ 15 milhões ao deixar de repassar a parte patronal da previdência referente aos meses de novembro, dezembro e 13º salário de 2025, além de janeiro de 2026. O projeto que autoriza o parcelamento dessa dívida em 60 meses foi aprovado pela Câmara de Vereadores após envio do prefeito Orvino.

A categoria denunciou que o parcelamento, além de postergar o pagamento, ainda deve gerar impacto extra com a incidência de juros e multas – dinheiro que, segundo os servidores, poderia estar sendo investido em saúde, educação e outras políticas públicas essenciais. Há ainda um prejuízo estrutural: os valores que deveriam estar sendo geridos pelo fundo de previdência não foram depositados no tempo correto, deixando de render e comprometendo o equilíbrio do sistema.

“A gente nem deveria começar a trabalhar nessas condições”

A ampla presença na assembleia refletiu o descontentamento generalizado. Servidoras dos Centros Educacionais Municipais (CEM) Vilson Kleinubing e Santa Terezinha resumiram o sentimento da categoria: “A gente nem deveria começar a trabalhar nessas condições.”

Sobre os impactos da redução do contrato com algumas das Organizações Sociais (OSs) e empresas terceirizadas na saúde, uma das servidoras destacou os efeitos negativos para usuários e trabalhadores. “O fim do contrato com essas organizações é bom, pois defendemos servidores concursados para prestar serviços à população. Mas o corte intempestivo foi muito ruim pra população e pros trabalhadores efetivos que continuaram lá. A prefeitura suspendeu o serviço sem pensar numa solução para a ausência das profissionais nas unidades, o que desfalcou o atendimento e sobrecarregou os servidores. Acredito que esse é um ponto fundamental pra população se indignar e apoiar o nosso movimento”, afirmou.

Educação sobrecarregada e estrutura precária

Uma professora do CEI Regina Bastos também trouxe um relato contundente sobre as condições enfrentadas na ponta: “Estamos cansadas. Nossas reivindicações raramente são aceitas, a estrutura está precária. Este ano colocaram ar condicionado, mas muitos já estragaram. As crianças ficam muito agitadas com o calor, não dá pra fazer um trabalho efetivo. Faltam auxiliares para a educação especial”, contou. 

Ela ainda denunciou a falta de materiais básicos: “Faltam materiais, às vezes temos que pedir pras famílias trazerem, como por exemplo massa de modelar, pois se a prefeitura manda, vem pouco e com baixa qualidade”. A professora concluiu com um chamado ao respeito: “Esperamos ser respeitados como pessoas e profissionais, o local de trabalho é uma extensão da nossa vida. Vendemos nosso tempo por um dinheiro que não alcança nossas necessidades.”

Próximos passos da data-base

Com o estado de greve aprovado, a diretoria do Sintram/SJ buscará uma negociação imediata com o município. A expectativa é que, até o dia 14 de abril, haja uma proposta concreta da Prefeitura para ser levada à categoria em nova assembleia.

A mensagem dos servidores foi clara e ecoou forte na Beira-Mar: Servidores públicos merecem respeito.

Conselho deliberativo do Sintram/SJ 

Durante a assembleia, novos servidores foram eleitos para o conselho deliberativo do Sintram/SJ. São as professoras Raissa Alves Araujo, Thaís Tressano Filo e Larissa Lepri; e os agentes comunitários de saúde Giovanio Rossi e Sílvia Bruno. Bem-vindos, colegas!

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