Racismo e gênero no campo do trabalho

A presidente da Comissão De Igualdade Racial da OAB/SC Emiko Liz Ferreira, o presidente do Sintram-SJ Marcos Aurélio dos Santos e o membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos/SC Christian Mariano, durante o Seminário “Gênero, Etnia e Diversidade”.
A presidente da Comissão De Igualdade Racial da OAB/SC Emiko Liz Ferreira, o presidente do Sintram-SJ Marcos Aurélio dos Santos e o membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos/SC Christian Mariano, durante o Seminário “Gênero, Etnia e Diversidade”.

Durante o VI Seminário do Sintram-SJ “Gênero, Etnia e Diversidade” foram debatidos temas essenciais para os trabalhadores, como os preconceitos de gênero e raça e como isso afeta diretamente os trabalhadores e, também, a sociedade de um modo geral.

Na abertura da palestra, o presidente do Sintram-SJ Marcos Aurélio dos Santos falou sobre a importância do debate e os problemas enfrentados por diversos trabalhadores quanto aos preconceitos de raça e de gênero nas instituições. Ainda reforçou ao dizer que dentro da CUT, da qual o Sintram-SJ é filiado, já existe a paridade de gênero e raça, mostrando como a representatividade para negros e mulheres dentro do sindicato, serve para quebrar a hegemonia de poder, na qual tem o homem branco como figura central.

Em seguida, a palestrante Emiko Liz Ferreira, advogada e presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB/SC, discorreu sobre o tema “A situação do Negro no Mercado de Trabalho e o Racismo Institucional”. A advogada demonstrou, em números, o quanto o negro no Brasil sofre com a discriminação institucionalizada. Um exemplo disso é que, mesmo sendo 52% da população brasileira, o negro ainda é tratado como minoria. Outro dado importante é de como a menor qualificação do negro, já que ele é marginalizado e, portanto, com menos acesso a educação, se reflete no mercado de trabalho, dando a ele uma condição de inferioridade quanto ao homem branco. Essa disparidade se dá na diferença salarial, sendo que o negro recebe em média um salário 36,11% menor que o do homem branco.

Além disso, a condição de ser negro lhe traz maior instabilidade e no tempo de procura de outro emprego, já que, com o racismo institucionalizado, o negro é visto com desconfiança para certos cargos. A mulher negra são duplamente vítimas do racismo em nossa sociedade, porque, além de serem negras, estão na condição de mulher, demonstrando que nossa sociedade é, além de racista, também machista. O salário da mulher negra a é 50% menor do que a média de mulheres brancas. Além disso, a mulher negra jovem sofre na busca por um emprego, já que a taxa de desemprego para elas é de 25%.

Após essas explanações sobre racismo e o ambiente de trabalho, o palestrante Christian Mariano, que faz parte do conselho Estadual de Direitos Humanos/SC e do Grupo Acontece-Arte e Política LGBT, debateu sobre o tema “Diversidade, Discriminação e o Preconceito nas Relações de Trabalho”.

Christian fez uma análise sobre o tema usando suas experiências pessoais já que, ele assumiu sua condição de transexual homem abertamente. Começou a partir de sua infância, e falou sobre sua dificuldade de adaptação numa sociedade em que a visão sobre gênero é pré-estabelecida. Provocando a plateia a reflexão ao perguntar: “O que é ser homem? O que é ser mulher?”.

No campo do trabalho, o palestrante citou dois exemplos de como funciona o preconceito nessa área. Sua condição de escolha de gênero dificultou na busca por empregos, mesmo sendo formado em Gestão Ambiental e com pós-graduação em Gestão de Risco, Christian disse que não consegue um emprego formal, pois, a condição de transexual ou faz esbarrar no preconceito. Exemplificou isso, quando falou sobre sua última experiência numa grande empresa de telemarketing, na qual, apesar de ter sido contratado, já que tem qualificação para tal, ele não passou dos 3 meses, esbarrando mais uma vez no preconceito. A outra situação da qual falou, foi sobre a utilização do nome social, o que é lei no Brasil. Num posto de saúde, mesmo após conversar com a atendente sobre ser chamado pelo nome social, foi ignorado e teve seu nome de batismo (feminino) falado em público. O que, para quem está na condição de transexualidade, é constrangedor. “Isso demonstra que servidores e trabalhadores de outras áreas, devem estar preparados para lidar com estas situações”, lembrou o presidente do Sintram-SJ, interferindo na fala.

Ao final dos debates, o microfone foi aberto a plateia para que as pessoas debatessem e fizessem suas análises sobre os temas apresentados, além de também, falarem sobre suas próprias experiências. O debate foi importante para que as pessoas obtivessem conhecimento e se transformassem em multiplicadores, dando voz a grupos tão discriminados em nossa sociedade.

Veja abaixo algumas imagens do evento:

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